Reunião da CEI contra a Cooperativa Vida Nova foi tensa e com presença de grande público

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Em clima tenso, a primeira reunião da CEI contra a Cooperativa Vida Nova foi interrompida pelo vereador Eduardo Lopes, presidente da Comissão, por várias vezes. Ele teve dificuldade para conduzir os trabalhos e chegou até ameaçar suspender a reunião até o plenário esvaziar, mas recuou e deliberou convocações para a próxima reunião no dia 29

Por Renata Gomes e Ana Rodrigues

Galerias ficaram lotadas de trabalhadores da construção civil e da população que a todo momento vaiavam os vereadores da CEI contra a Cooperativa Vida Nova
Galerias ficaram lotadas de trabalhadores da construção civil e da população que a todo momento vaiavam os vereadores da CEI contra a Cooperativa Vida Nova
Cerca de 300 pessoas chegaram cedo e lotaram o plenário da Câmara Municipal de Taboão da Serra no final da tarde de quinta-feira, 15, para acompanhar a primeira reunião da Comissão Especial de Inquérito (CEI) instaurada para apurar possíveis irregularidades da Cooperativa Habitacional Vida Nova sobre desdobro de área sem contrapartida de área institucional para a prefeitura.

Com diversas faixas e enaltecendo o nome do presidente da Cooperativa, José Aprígio (PSD), que também é uns dos principais adversários do atual prefeito Fernando Fernandes (PSDB) na disputa das eleições de outubro, a reunião tensa foi conduzida com muita dificuldade pelo presidente da comissão, vereador Eduardo Lopes (PSDB).

Por diversas vezes a reunião foi interrompida. Logo ao abrir os trabalhos, visivelmente tenso, Lopes chegou a ameaçar suspender os trabalhos até que o plenário fosse esvaziado. Saiu vaiado do plenário e o povo sinalizou que não iria embora. Poucos minutos depois ele recuou e novamente, com dificuldade de falar pela manifestação constante do público, ele disse que a comissão iria deliberar sobre a escolha do relator e voltar.

Foi escolhido por unanimidade o vereador Marco Porta(PRB) como relator da CEI. O vereador Moreira (PSD) que não faz parte da comissão, interrompeu a reunião pedindo questão de ordem que foi negada pelo presidente e, em mais um conflito, os trabalhos foram suspensos.

Moreira foi chamado para a sala de reunião com os demais membros da comissão e quando voltou questionou a legitimidade da reunião da CEI pois, na sessão de terça-feira, 12, os trabalhos foram suspensos e só serão retomados às 8h da próxima terça-feira, 19 e como a ata da sessão não foi votada ainda, afirmou que poderia ser irregular o início dos trabalhos da CEI.

Pedindo ajuda da assessoria jurídica, Lopes respondeu que era válida porque tinha sido instaurada na Ordem do Dia. A resposta não convenceu Moreira.

Foram aprovadas as convocações do presidente da cooperativa José Aprígio e dos atuais secretários municipais Rogério Balzano (Obras) e Joel Ney De Sanctis Jr. (Assuntos Jurídicos) para participarem da oitiva no dia 29 de abril às 18h.

Moreira diz que comissão foi criada pra desviar o foco dos problemas da cidade e atacar Aprígio

Em entrevista exclusiva, Moreira disse que primeiramente a impressão que se dá é que os membros do governo, porque a CEI foi montada só com membros do governo, para prejudicar uma pessoa honesta e inocente que é o Aprígio. “Estão chamando outras pessoas para virem aqui, e na verdade o que eu observo, não terão o mesmo rigor que terão com o Aprígio, porque eles querem desgastar uma pessoa que tem coragem de colocar a sua candidatura a disposição do povo, da cidade pra resolver os problemas da população, então seja o que for que eles disserem, parece que já sabemos o final, é tudo pré determinado, um jogo de xadrez sem adversário”, acusou.

Moreira também disse que o objetivo é desviar o foco da cidade que tem problemas consistentes. “O Aprígio tem mostrados os problemas, tem denunciado e isso vem fazendo com que ele cresça, e evidentemente ele crescendo se torna uma ameaça então essa CEI foi justamente pra calar e intimidar ele e tentar jogar a população contra ele. A população hoje está muito esclarecida, e em uma outra dimensão onde eles acompanham os problemas que vem acontecendo no país e não vai se deixar enganar pelas decisões falsas e levianas que certamente virão nos próximos dias, então eu peço a Deus que possa tocar no coração dos vereadores que estão conduzindo esta CEI, para que sejam de fato imparciais e que pensem de fato no bem da cidade, não no bem de um governo”, completou.
Nenhum dos outros quatro membros da comissão falaram durante a reunião.

Sobre a chantagem, Eduardo Lopes se cala

Mesmo sendo atacado pelo vereador Luiz Lune de que ele teria pedido um apartamento em troca de aprovar as contas do ex-prefeito Evilásio, Lopes não desmentiu acusação

Na semana passada, o jornal Hoje em notícias publicou uma denúncia contra o vereador Eduardo Lopes Fernandes (PSDB) que teria pedido um apartamento para o ex-prefeito Evilásio Farias (PSB) para aprovar as contas de 2009 e 2010. Durante a sessão de terça-feira, 12, a acusação também foi feita em tribuna, de forma indireta, pelo vereador Luiz Lune (PCdoB).

“Eu tenho um amigo que disse assim: não tenho onde morar, eu não quero dinheiro, só quero um apartamento para morar.” e ameaçou: “Quando o seu Aprígio for convocado, aqui nessa cadeira, quero ver o sujeito derreter aqui. Sou testemunha”, garantiu.

Durante a primeira reunião da CEI contra a Cooperativa Vida Nova, que foi tumultuada e teve grande público, o vereador que preside a comissão também não desmentiu em nenhum momento a acusação.

Entenda o caso
Conforme divulgamos na semana passada, o vereador Eduardo Lopes teria dito que queria um apartamento já que não tinha imóvel e morava de aluguel. Segundo a fonte que denuncia o caso, o pedido formal aconteceu em local aberto e logo em seguida Lopes teria ido até a Cooperativa para falar com Aprígio sobre o pedido. Não se sabe se houve o pedido formal para a aquisição do apartamento, mas de acordo com as informações apuradas pela reportagem, houve sim o pedido ao presidente da Cooperativa, que teria recusado a extorsão.

Tendo o seu pedido negado, Eduardo Lopes ficou revoltado e em abril de 2015 falou durante a sessão que abriria uma investigação sobre o processo de desapropriação de área em empreendimentos de Cooperativa presidida pelo ex-vereador Aprígio contra a Cooperativa Vida Nova. Na época uma moradora que estava no plenário e acusou Lopes de ter pedido um apartamento. ‘Tem que ter prova para falar, ter evidência. Gostaria que Vossas Senhorias [guardas] sem titubear [prendessem quem agir de tal modo]. Fique o tempo que ficar [na cadeia], mas vai preso’, falou” Fernandes na tribuna da Casa naquela época. Transcrição do Portal de notícias verboonline.com.br, em outubro de 2015.
A reportagem do Jornal Hoje procurou novamente o ex-prefeito Evilásio Farias para falar sobre o assunto, mas não foi encontrado. Aprígio também não quis comentar o fato.

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