Polícia Federal investiga empresas envolvidas na Máfia da Merenda em Taboão

Duas empresas envolvidas na Máfia da Merenda têm contrato com a Prefeitura de Taboão da Serra

0
623
De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura de Taboão da Serra, A FENIX COM DE ALIMENTAÇÃO LTDA, recebeu cerca de R$ 1,5 milhões durante os dois governos de Fernando Fernandes (PSDB). – Foto: Secom/PMTS

A Operação Prato Feito, da Polícia Federal – PF, deflagrada na quarta-feira, 09/05, que investiga 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$ 1,6 bilhão, em 30 cidades de São Paulo entrou em Taboão da Serra. As suspeitas recaem em dois contratos com duas empresas ligadas ao Núcleo Coan, organização criminosa que atua dentro das prefeituras, segundo a PF.

“Esta associação possui muitas empresas em nome de integrantes da família COAN bem como faz uso de empresas em nome de terceiros (“laranjas” por vezes ex-funcionários) para simular concorrência e combinar preços em procedimentos licitatórios. As empresas mais utilizadas nas fraudes foram: GERALDO J COAN & CIA LTDA., ERJ ADMINISTRAÇÃO E RESTUARANTES DE EMPRESAS LTDA., EFRAIM ALIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, COELFER LTDA., ANGA ALIMENTAÇÃO E SERVIÇOS LTDA., FILOG COM E SERV DE REFEIÇÕES LTDA., WA SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO LTDA., FENIX COM DE ALIMENTAÇÃO LTDA, G & T COZINHA INDUSTRIAL LTDA., PACK FOOD COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. e SILLUS SERVIÇOS EIREI”, diz o relatório.

As duas empresas atuaram durante o governo do prefeito tucano Fernando Fernandes. A Máfia da Merenda age em mais de 30 cidades administrada pelo PSDB

As empresas deste núcleo já firmaram contratos com mais de 65 prefeituras municipais do estado de São Paulo, tendo recebido mais de R$ 200 milhões de reais com contratos recentes.

A FENIX COM DE ALIMENTAÇÃO LTDA e a PACK FOOD COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA têm contrato com a prefeitura de Taboão da Serra. Essas empresas estão relacionadas na Máfia da Merenda, na Operação Alba Branca, em abril de 2016.

A Máfia da Merenda, como ficou conhecido o esquema revelado pela Operação Alba Branca da Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo, já tem desdobramentos na Justiça, ou seja, já passou da fase de investigações policiais. A operação atingiu empresários, lobistas, servidores públicos e políticos, entre eles o ex-presidente da Assembleia Legislativa Fernando Capez, deputado estadual pelo PSDB. A operação foi deflagrada a partir de denúncias feitas por um ex-funcionário de uma cooperativa que fraudou concorrências e superfaturou contratos com o governo de São Paulo e com ao menos 27 prefeituras do interior.

A Alba Branca analisou contratos de suco de laranja e produtos agrícolas usados para fazer merendas. Além dos contratos firmados com o governo estadual, há procedimentos para investigar negociações feitas com as seguintes prefeituras: Atibaia, Bebedouro, Boraceia, Cabreúva, Campinas, Catanduva, Colômbia, Diadema, Jaboticabal, Mairinque, Mairiporã, Mococa, Monte Azul Paulista, Novo Horizonte, Patrocínio Paulista, Piracicaba, Pirangi, Praia Grande, Santa Cruz da Esperança, Santana de Parnaíba, Santos, Sertãozinho, Taboão da Serra, Taquaral, Taubaté e Tremembé.

O Tribunal de Justiça de São Paulo aceitou a denúncia contra Capez, que se tornou réu no caso por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, acusado de receber propina do esquema. Agora o deputado responderá ao processo e será julgado, o que não tem data prevista para ocorrer.
A Polícia Federal também fez investigações e deflagrou a Operação Prato Feito ligando as duas operações. Em ambos os casos a prefeitura e Taboão da Serra está envolvida diretamente no caso das merendas.

“Entretanto, verifica-se que já se encontram delineadas algumas fases descritas no modus operandi das associações criminosas em comento visto que já temos indícios de fraudes às licitações”, segue o documento em que a PF pediu autorização para realizar buscas e apreensões em repartições da Prefeitura paulistana e nas empresas envolvidas.

O relatório enviado pela Polícia Federal – PF à Justiça Federal destaca o envolvimento da prefeitura de Taboão da Serra com as empresas do Núcleo Coan que fornecem Carne Suína, peixe e Frango para a Prefeitura de Taboão da Serra, além de Marmitex para pacientes e funcionários de rede hospitalar do município. 
De acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura de Taboão da Serra, A FENIX COM DE ALIMENTAÇÃO LTDA, recebeu cerca de R$ 1,5 milhões durante os dois governos de Fernando Fernandes (PSDB). Na maioria com recursos federais.

Já outra empresa envolvida, PACK FOOD COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA não aparece no Portal da Transparência, mas é possível verificar na Imprensa Oficial do Estado e no Tribunal de Contas o contrato com a prefeitura e Taboão da Serra. De acordo com TCESP, os pagamentos superaram R$ 500 mil. A Polícia Federal ainda analisa o material apreendido nas duas empresas e o possível envolvimento com a Prefeitura de Taboão da Serra.

Operação Prato Feito
De acordo com a Polícia Federal, cinco grupos criminosos são suspeitos de desviar recursos da União para a educação destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

São cumpridos 154 mandados de busca e apreensão, além de afastamentos preventivos de agentes públicos e decisões de suspensão de contratação com o poder público referentes a 29 empresas e seus sócios. A ação visa desarticular cinco grupos criminosos suspeitos de desviar recursos da União destinados à educação.

De acordo com a PF, as investigações apuraram que os grupos criminosos agiriam em 30 municípios em São Paulo, contatando prefeituras por meio de lobistas, para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais para a educação destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.

Durante a operação, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão na casa do prefeito de Embu das Artes, Ney Santos (PRB), e na prefeitura. Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de fraude a licitações, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com penas que variam de 1 a 12 anos de prisão.

 

O que é a Máfia da Merenda?
A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam um esquema de corrupção e superfaturamento no fornecimento de alimentos para merenda escolar, envolvendo o governo de São Paulo e pelo menos 22 prefeituras do interior paulista. Segundo funcionário da Coaf que denunciou a fraude, a cooperativa contratava “lobistas” que atuavam junto aos governos e prefeituras, pagando propina a agentes públicos em troca de favorecimento em contratos. O maior deles é com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo. De acordo com o Ministério Público, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) pagou R$ 7,7 milhões à cooperativa no último ano.

A Prefeitura de Taboão da Serra não quer falar com o jornal Hoje em notícias, estamos esperando que o governo se manifeste a respeito dos contratos das empresas.

Propaganda

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

*