Moradores do centro podem ter sofrido golpe por funcionário da prefeitura

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Segundo denunciantes, funcionário induziu assinatura falando que era sobre isenção de IPTU, porém a prefeitura já havia entregue ofício no dia 13 de janeiro dispensando os moradores e comerciantes do pagamento do imposto do exercício de 2016

Por Renata Gomes

A costureira Maria Marlene França trocando pela quarta vez a porta de seu comércio por causa das enchentes.
A costureira Maria Marlene França trocando pela quarta vez a porta de seu comércio por causa das enchentes.
A equipe de reportagem do Jornal Hoje em notícias foi procurada por um grupo de moradores e comerciantes da rua Getúlio Vargas, no Centro de Taboão da Serra para denunciar que um estranho um funcionário que se identificou como sendo da Secretaria de Assistência Social, foi coletar assinaturas de um formulário falando que era sobre isenção de IPTU, mas o documento era da Defesa Civil e tinha opções de recebimentos de materiais. A região foi atingida por três fortes chuvas nos últimos dias que causaram prejuízos incalculáveis para as famílias. Houve até uma morte.

Diversas testemunhas, algumas terão os nomes preservados a pedido, confirmaram que no dia 26 de janeiro, um dia antes de uma nova forte chuva atingir a região central de Taboão da Serra, o funcionário induziu os moradores e comerciantes assinarem o documento falando que era sobre isenção, porém eles já tinham recebido um ofício do prefeito datado de 13 de janeiro informando que estavam dispensados do pagamento do imposto de 2016.

Reprodução do documento assinado por comerciantes e moradores entregue por funcionário no dia 26 de janeiro que dizia ser cadastro de isenção de IPTU, porém documento não fala de isenção e sim de entrega de materiais.
Reprodução do documento assinado por comerciantes e moradores entregue por funcionário no dia 26 de janeiro que dizia ser cadastro de isenção de IPTU, porém documento não fala de isenção e sim de entrega de materiais.

“Nós assinamos o documento, não ficamos com nenhuma cópia, e lá não dizia nada sobre isenção de IPTU. Eu até fotografei o documento, pois achei tudo muito estranho. Era um papel que tinha o logo da Defesa Civil, solicitava os dados, a composição da família e tinha um campo de materiais recebidos sem ser assinalados, ou seja, posteriormente, qualquer pessoa pode assinalar os itens listados, pois já constavam as nossas assinaturas. Assinamos o documento induzidos, pois o rapaz dizia que era para a isenção do IPTU. Mas esse documento de isenção já recebemos da prefeitura. Nossas cabeças estão tão cheias por conta dos acontecimentos que nem pensamos direito quando assinamos. Não recebemos nenhuma doação de material , por isso resolvemos procurar o jornal e denunciar o fato”, relatou o grupo de moradores e comerciantes.

O comerciante José Eduardo, do restaurante Edu e Rosa, ressaltou que a Prefeitura não faz nenhuma doação para comércio. “No dia 26 de dezembro tivemos a chuva mais forte dos últimos anos. A água chegou à altura de quase 2 metros. Eu perdi tudo, mesas e cadeiras do restaurante, freezer, balcão, o portão de ferro ficou totalmente quebrado, a violência da água era assustadora. Eu quase implorei para a prefeitura me doar um colchão para eu dormir no restaurante, pois a porta estava completamente destruída, mas não consegui. De lá pra cá só foram gastos e mais gastos e só consegui reabrir o restaurante hoje [12 de fevereiro]. Nem consigo calcular o quanto já gastei. Assinei o documento sim porque pensava que era da isenção do IPTU. Eu só espero que o nosso prefeito tome vergonha na cara e faça alguma coisa. Mas, sinceramente, não tenho mais esperança”, desabafou.

A costureira Maria Marlene França na sexta-feira, 12, estava trocando pela quarta vez a porta de seu comércio. “É a quarta porta que coloco aqui, além disso já perdi três máquinas de costuras, geladeira, fogão, micro-ondas e ferros de passar de alfaiate. Eu também estava quando um rapaz se identificou e falou sobre o papel, mas eu não assinei porque tinham acabado os formulários dele. Eu trabalho aqui desde 1992 e me lembro de uma forte chuva que também causou muita destruição em 2005, depois nossa região não tinha mais alagamentos tão graves como esses. Não entendo, mas para mim é algo errado na obra que ao invés de melhorar está piorando”, criticou.

O fotógrafo e proprietário da Papelaria Taboão, Izelso Menegusso está abalado e pensa até em sair do país. Ele teve um prejuízo de mais de R$ 250 mil. “Hoje para você ter ideia é volta às aulas e eu não tenho um caderno para vender. A prefeitura fica doando cestas básicas para os moradores daqui e não é isso que queremos, o que precisamos é que resolva o problema, esta é a sexta vez que eu perco tudo, perdi máquinas de xérox, balcão, mais de 40 mil de mercadorias. É revoltante!”, esbravejou.

O radiologista Alexandre Fagundes também questionou do porque os funcionários da prefeitura só entregam o denominado “kit enchente” (um balde, luva, 01 barra de sabão em pedra, 05 litros de cândida, 01 pá de lixo, vassoura e rodo) ” para os moradores que estão na porta. “Se você estiver na porta da sua casa ganha o kit, mas se estiver dentro de casa, limpando perde o kit, não tocam a campainha nem batem palmas. Está morrendo gente, está ficando mais grave. Entra ano e sai ano e tudo continua do mesmo jeito ou até pior. Estamos traumatizados. É só o céu escurecer que ficamos apavorados”, relatou.

Outra reclamação feita pelos moradores e comerciantes do centro do Taboão foi de ter que perder tempo e se deslocar até o Atende com o carnê que receberam para fazer o procedimento de isenção do IPTU. “Deveria ter um sistema e já isentar todo mundo de uma vez. Perder duas horas no Atende além de tudo que já perdemos é mais um transtorno para nós”, comentou uma comerciante.

A prefeitura de Taboão da Serra não se pronunciou sobre o fato até o fechamento da matéria.

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