Mais de mil famílias sem moradia integram ocupação “Chico Xavier” no Parque Laguna

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Segundo integrantes da ocupação, o movimento não pertence nem ao MTST ou MST, é independente e organizado por várias lideranças que se uniram em prol da luta por moradia própria. Eles criticam o prefeito Fernando Fernandes pelo descaso com a causa da habitação popular em Taboão da Serra. A prefeitura não respondeu o jornal Hoje sobre o tema

Por Renata Gomes

Mais de mil famílias sem moradia ocupam terreno no Parque Laguna em Taboão da Serra
Mais de mil famílias sem moradia ocupam terreno no Parque Laguna em Taboão da Serra. Foto: Ana Rodrigues/Hoje
Enfrentando diversas dificuldades inclusive climáticas como as fortes chuvas que caíram na região nos últimos dias e a baixa temperatura, mais de mil famílias ocupam desde o dia 28 de maio uma área do Parque Laguna.

A reportagem do Jornal Hoje em notícias esteve no local e com exclusividade entrevistou líderes e famílias que buscam o sonho de ter uma casa. Eles criticam o descaso do atual prefeito Fernando Fernandes (PSDB) por não desenvolver projetos habitacionais para atender o alto déficit de falta de moradia existente em Taboão da Serra.
A Ocupação “Chico Xavier” não pertence aos movimentos de luta por moradia como MTST, MST ou outros existentes na cidade e na região. “Aqui somos todos nós por todos nós. A liderança e decisões são feitas em conjunto, aqui é um ajudando o outro e todos com o mesmo sonho e objetivo, ter um teto para morar”, respondeu um dos integrantes da ocupação.

Segundo os integrantes da ocupação, a Prefeitura ainda não fez nenhum contato e apenas impedem a entrada de materiais pela entrada de Taboão e eles estão entrando por São Paulo, pelo João XXIII. Outra atitude da prefeitura foi notificar um morador que estava fazendo empréstimo da iluminação que também acabou sendo cedida por São Paulo. Os integrantes também são revistados pela GCM quando sobem para a ocupação, principalmente no final de tarde.
A GCM de Taboão da Serra impediu que a ocupação acontecesse na manhã de sexta-feira, 27, mas eles retornaram no sábado e realizam a ocupação.

Já a Polícia Militar, segundo eles, estacionam em frente ao terreno da Ocupação, mas não fazem nenhuma interferência, ao contrário, conversam atenciosamente com os integrantes da ocupação. Ao jornal Hoje os policiais responderam que a ordem recebida é de apenas monitorar o local, sem fazer nenhuma intervenção.

Foi construída uma sede de alvenaria no local onde são distribuídas refeições comunitárias para os integrantes da ocupação. Eles também fizeram banheiros. A preocupação em evitar derrubar árvores também é uma regra da organização. “Tinha uma área aqui que era um campo e já estava desmatada”, contou um dos ocupantes.

A coragem de enfrentar o frio e a chuva segundo os entrevistados vale a pena porque eles sonham em conquistar a área para a construção de suas futuras casas. “Eu pagava R$ 500,00 de aluguel em uma casinha de 02 cômodos no Jd. Record. Não tenho condições de pagar tudo isso. Eu estou aqui lutando e acreditando que vou conseguir um lar digno para criar minha filha”, relatou Ione Santos de Jesus, de 33 anos que tem uma filha de 13 anos.

A Franciele Cristina Senne Claro, de 26 anos e com três filhos, que trabalha como balconista em uma padaria e ganha pouco mais de um salário mínimo contou que também sofre muito sem ter uma moradia própria e que fica impossível pagar aluguel. “A ocupação aqui está muito bem organizada, no começo tive medo sim, mas preciso acreditar que vamos conquistar nossa moradia e vou poder criar meus filhos com dignidade”, concluiu.

A Laura Santos da Silva, de 30 anos, mãe de três filhos de 15, 13 e outro de um ano e 10 meses está desempregada e morava de favor em um cômodo na casa de sua mãe no Jd. Record. “Estamos unidos para lutar por nossa casa, olha quanta terra aqui sem utilidade”, alertou.

O terreno, segundo alega os ocupantes, pertence a família Basile e tem dívidas altas com a municipalidade pelo não pagamento de impostos.

Os integrantes negam que a ocupação seja de pessoas que estão saindo da área ocupada nas margens da BR-116 em Embu das Artes. “Estamos recebendo famílias que moram em Taboão, essa é a prioridade, cadastramos todos que chegam aqui. Pode ser que alguém que morava em Taboão e estava naquela ocupação venha pra cá depois que anunciaram a reintegração de posse, e se estiverem dentro dos critérios definidos pela organização serão recebidos”, comentou um dos organizadores.

Alguns ocupantes integraram a ocupação no Jd. Record onde a prefeitura fez a reintegração de posse em outubro do ano passado retirando 80 famílias da área com a infeliz ocorrência de uma GCM que atirou e matou um homem durante uma tentativa de retirada ordenada pelo prefeito Fernando Fernandes.
A área que fica na rua Carlos Marighela, no Jardim Record, em frente a EMI Cebolinha é pública e está destinada para construção de equipamento público que há anos é esperado o início das obras e até agora nada.

Prefeitura não respondeu
Até o fechamento da matéria a Prefeitura de Taboão não respondeu o Jornal Hoje sobre o assunto.

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