Mais de 80 pessoas são retiradas na reintegração de posse da Prefeitura no Jd. Record

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Ação foi realizada pacificamente desde a madrugada desta quarta-feira, 07, até o início da tarde; em maio um homem foi morto por uma GCM durante a ocupação do terreno da Prefeitura

Por Renata Gomes

Cerca de 80 pessoas foram retiradas de 24 moradias que foram demolidas durante reintegração de posse da Prefeitura nesta quarta-feira, 07. FOTO: Renata Gomes/Hoje
Cerca de 80 pessoas foram retiradas de 24 moradias que foram demolidas durante reintegração de posse da Prefeitura nesta quarta-feira, 07. FOTO: Renata Gomes/Hoje

O cenário de casas demolidas, lixo e moradores com móveis na calçada desde a madrugada desta quarta-feira, 07, foi encontrado pela equipe de reportagem do Jornal Hoje em notícias durante a ação de reintegração de posse da Prefeitura de Taboão da Serra no terreno localizado na rua Carlos Marighela, no Jardim Record, em frente a EMI Cebolinha. Cerca de 80 famílias foram retiradas da área. A ação ocorreu de forma pacífica, segundo relatou moradores, a Guarda Civil Municipal e a Polícia Militar, apenas uma ocorrência de uma moradora que se cortou ao carregar a mudança foi registrada no final da manhã.

Segundo a GCM, participaram da ação 60 guardas desde às 4h30 da manhã. A Polícia Militar informou ao Jornal Hoje que cerca de 60 policiais atenderam a ocorrência e a Defesa Civil respondeu que 40 servidores trabalharam para retirar, carregar e transportar os móveis e pertences dos moradores.

No mês de maio deste ano, durante a ocupação do terreno, a GCM Jaqueline Aparecida dos Santos Laurentino de 31 anos, atirou e matou um jovem Fernando Neris Ferraz, de 23 anos. Foi solicitado exame de balística na época, a servidora foi afastada. O jornal Hoje questionou a prefeitura como está o caso e até o fechamento da matéria não recebeu retorno.

As declarações das pessoas que ocupavam a área foram de muita comoção e tristeza. O local tinha cerca de 24 moradias e abrigavam cerca de 80 pessoas, segundo informou um dos coordenadores da ocupação, Nelson Souza, conhecido como Pato. “Eu acho que deveríamos ter tido um prazo de 48 horas para deixar o local. Apesar disso, tudo ocorreu de forma pacífica, mas aviso se o prefeito não fizer nada nessa área até o final do ano, vamos invadir de novo, porque antes da invasão esse lugar era usado por drogados e tinha muito assalto no escadão”, comunicou.
Iara Cruz de 30 anos que tem quatro filhos, um de 8 anos, um de 9 anos e outra de 11 anos e está desempregada disse que não tem como pagar aluguel. “É um sentimento de revolta. Mandaram a gente tirar as coisas e pronto. Não recebemos nenhum auxílio e tive que contar com a ajuda de outras pessoas, porque senão agora eu iria morar na rua. Vou ter que ir para o Embu e terei que tirar as minhas filhas da Escola, logo agora que está quase no final do ano. A Prefeitura poderia pelo menos nos dar um auxílio aluguel para meus filhos pelo menos terminar o ano na escola”, desabafou.

Jailson Oliveira, de 32 anos, que estava há oito meses no local, disse que eles avisaram há um dois meses que a reintegração ocorreria. “Eles bateram na minha porta às 5h30 da manhã e foram entrando, minha esposa estava com “roupas íntimas” ainda. Acho que isso não foi justo, deveriam ter pedido licença. Eu tenho problema na perna de uma queda, minha esposa está de licença também por motivo de saúde, faço bicos de pedreiro e não tenho como pagar um aluguel”, contou.

Luciene Silva Teles de 33 anos, desempregada, que tem uma filha de dois anos e está grávida de quatro meses, com lágrimas nos olhos, disse que foi difícil ouvir a frase de sua filha “olha mamãe estão destruindo a nossa casinha. Agora vou contar com a ajuda de parentes.”.

Conversando com um funcionário da Defesa Civil, ele declarou que a realização deste trabalho não é fácil. “Também temos família, filhos, mulher. Dói fazer este tipo de ação”, desabafou pedindo sigilo de seu nome. Segundo eles, nenhuma das famílias aceitaram ir para um abrigo da prefeitura, que seria para guardar os objetos na Usina.
No local está previsto a construção de uma creche, mas a prefeitura ainda não retornou sobre quando a obra será iniciada. Para a estudante Manoela Roberta da Silva, que mora próximo da área invadida, as famílias deveriam ficar lá, porque sem eles lá, o local novamente será ocupado por usuários de drogas.

A prefeitura de Taboão da Serra não respondeu o Jornal Hoje até o fechamento da matéria.

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