Lavanderia Alta Pressão, abre falência e não paga funcionários

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Sem conseguir receber direitos trabalhistas, ex-funcionários protestam na frente da empresa. A Lavanderia atendia várias marcas famosas

Por Ana Oliveira

Mais de 150 trabalhadores estão sem receber seus direitos, alguns até mesmo passando necessidade, protestam na frente de lavanderia que fechou na Estrada das Olarias
Mais de 150 trabalhadores estão sem receber seus direitos, alguns até mesmo passando necessidade, protestam na frente de lavanderia que fechou na Estrada das Olarias
Na tarde de quarta-feira, 08, um grupo de ex-funcionários da Alta Pressão Lavanderia Industrial, fizeram um protesto na porta da empresa, que fica na Estrada Olarias, em Taboão Da Serra. Munidos de cartazes e faixas, com o apoio do sindicato (Seacoturh), eles ficaram no local por pouco mais de duas horas com o objetivo de receber os direitos trabalhistas, pois a empresa abriu falência e os ex-funcionários correm o risco de não receber nada.

As demissões aconteceram desde janeiro, e hoje mais de duzentas pessoas foram dispensadas. A luta deles agora, já que a empresa abriu falência e não “tem” como pagar os funcionários, é para que o maquinário seja vendido, e o valor seja dividido entre eles, que estão abertos a qualquer acordo.

De acordo com os manifestantes, pouco antes da reportagem chegar ao local, um oficial de justiça compareceu na sede da empresa, verificando e avaliando o maquinário que ainda se encontra no galpão, e informou aos ex-funcionários que nada mais pode ser retirado lá de dentro. Os trabalhadores ficaram sabendo, que o dono, que foi identificado por eles como Ronaldo Aguiar Farias Junior, estaria abrindo uma nova lavanderia, no Estado do Rio de Janeiro, e também estava, segundo o grupo, retirando o maquinário, caminhões e carros menores para estruturar a nova empresa, então eles foram à justiça para que esses bens fossem bloqueados.

A ordem judicial determina que a partir desta sexta-feira, 17, qualquer equipamento, maquinário ou veículo que for retirado do local será objeto de roubo.

A fábrica teve os trabalhos encerrados no dia 30 de maio deste ano. “Começaram a dispensar [os funcionários] a partir de janeiro, foram umas cem pessoas e agora em março dispensaram mais algumas, e agora dispensaram praticamente todos, só ficaram os funcionários de departamento pessoal e RH, os demais foram dispensados com o aviso de que podíamos procurar nossos direitos, pois não iam receber”, explicou Débora Aparecida Ferreira, que era técnica de segurança do trabalho na empresa.

Os processos foram abertos de forma individual, para que os procedimento fossem mais rápidos, até então ele tiveram acesso ao fundo de garantia, e entrada no seguro desemprego, que segundo eles está demorando para ser liberado, cerca de 180 dias, alguns deles estão sem receber o salário corretos e os benefícios desde dezembro.
A maioria dos colaboradores trabalhava com processos de lavagem desgastes de jeans, o que é feito com vários produtos químicos, e segundo os ex-funcionários, eles nunca chegaram a receber por insalubridade. “Entrei como ajudante e saí como líder de lavanderia, trabalhei 16 anos e fui mandado embora em janeiro, ainda não recebi nem o seguro desemprego. Ficou férias, vale e pagamento do ultimo mês ai com eles e não me pagaram, nem o tempo de casa”, contou Luciano da Silva que foi mandado embora com duas hérnias de disco.

Acíl Aparecido, diretor do sindicato, explica as providências que estão tomando em relação ao caso. “Nós entramos com os processos individuais, porque muitas varas não aceitam o coletivo, e nós solicitamos o aresto de bens, hoje recebemos o oficial de justiça para conferir as máquinas e fazer o bloqueio dos bens, ele não pode mais vender e vai ter que dar satisfação pro juiz no caso de sumir alguma coisa”.

Em meio a tantas histórias, de tantas pessoas prejudicadas e desesperadas, surgiu a dona Maria do Socorro Pimenta de Sá, 52 anos, que tinha o cargo de costureira, mas para cobrir outro funcionário foi colocada para manusear a máquina de solda sem nenhum treinamento. “Eu fui prensar a tela na peça e encostei, saiu toda a pele da minha mão. A máquina estava a 180°. Isso aconteceu no dia 25, e o médico não queria me atender porque não foi aberto o CAT) Comunicado de Acidente de Trabalho), e tive que continuar o tratamento no endereço da minha colega.” O CAT só foi aberto na quinta-feira, 7, porque a doma Maria do Socorro foi até a empresa e disse que não sairia de lá sem ele.
Até o fechamento da matéria, a empresa não respondeu e nem retornou ao Jornal Hoje.

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