IPTU: vamos fazer umas contas?

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Rodrigo Contrera

RodrigoEstive passando pelo Jardim Maria Rosa, onde ficam os prédios do Aprígio (Cooperativa Vida Nova) e outros. Esses prédios são bem diversificados. Existem prédios populares, outros maiores, de melhor padrão, e outros ainda, mais afastados. Olhando por cima, eles ocupam um morro.
Vejamos. Partindo da metade da rua, só na rua Vida Nova, do lado esquerdo, no condomínio Pitangueiras 1, existem 5 prédios (alguns outros em construção). Todos eles possuem 26 andares, com 8 apartamentos por andar. No total, somam 1040 apartamentos. Esses apartamentos costumam ter 2 dormitórios. Assumindo que cada um pague 680 reais de IPTU (anual), eles arrecadam para a Prefeitura 707 mil reais. O mesmo para o Pitangueiras 2, cuja entrada fica no fim da rua, do lado esquerdo. Mais 707 mil reais.
No caso, os apartamentos do Castanheira (quatro prédios de 26 andares, mais 1 em construção) são mais amplos. Como aqui são 4 apartamentos por andar, teremos no total 520 apartamentos. Assumindo um IPTU de 1000 reais, teremos 520 mil reais arrecadados com IPTU.
Já do lado direito da rua seguinte, existe o condomínio Laranjeiras, com 8 apartamentos por andar, em 4 prédios de 26 andares (mais 1 em construção). São novamente 1040 apartamentos. Assumindo um IPTU de 680 reais, teremos 707 mil reais arrecadados. Peguei apenas uma rua. Somando tudo, dá 2,6 milhões de reais.
Sabemos que alguns desses condomínios estão com edifícios em construção e os prédios também estão apenas começando a ser ocupados. Sabemos também que, mesmo quando ocupados, os apartamentos muitas vezes são revendidos em poucos meses. A rotatividade é, em alguns casos, bem alta.
Mas vejamos agora a infraestrutura. Existe uma linha de ônibus que passa por ali (Circular 7). Não há posto de saúde a menos de 5 quarteirões (com ladeiras). Não há creche na região (há creche – da Prodesp – perto da nova Câmara Municipal). Não há posto policial. Não há farmácia ou drogaria. Há um mercado recente (o Extra). Temos um lugar apenas para tomar café (no Outlet). Não temos lanchonetes, padarias ou restaurantes. Não temos agências bancárias. Do lado esquerdo dos prédios do Castanheira, temos uma faculdade a ser inaugurada e a alguns metros, a BR-116.
Façamos uma comparação: 2,6 milhões de reais versus a infraestrutura existente. Faz sentido?
Sim, sei que o IPTU é um imposto não vinculante. Ou seja, não é porque a população de uma determinada região paga que os recursos têm de ir necessariamente para essa região. Mas chamo a atenção: faz sentido? Quando é que o poder público vai dedicar recursos adequados para a região?

Rodrigo Contrera é jornalista e conselheiro de condomínio em Taboão da Serra.

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