Greve continua e lixo toma conta da cidade

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Os coletores de lixo realizaram nova manifestação na BR 116 na segunda-feira, 13. TRT vai julgar a greve e enquanto isso a paralisação segue sem data para acabar

Sem coleta de lixo há 23 dias, Taboão da Serra tem acúmulo de lixo e mau cheiro em toda a cidade. FOTO: Reproduçaõ da Internet - Luiz Carlos Murauskas - Folhapress
Sem coleta de lixo há 23 dias, Taboão da Serra tem acúmulo de lixo e mau cheiro em toda a cidade. FOTO: Reproduçaõ da Internet – Luiz Carlos Murauskas – Folhapress
Sem acordo, a greve dos coletores de lixo e varredores de Taboão da Serra da empresa Cavo, que já dura 23 dias, continua. O cenário de sujeira, lixo acumulado, mau cheiro e proliferação de ratos são visíveis em toda a cidade. O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) vai julgar a greve, mas a data ainda não foi definida e a paralisação segue sem previsão de término. Na segunda-feira, 13, os funcionários realizaram nova manifestação na BR 116.

A categoria que exigia um reajuste de 11,73% sobre os salários e benefícios, tenta acordo de pelo menos 9,5%, como aconteceu na cidade do ABC Paulista, porém a empresa Cavo insiste no percentual de 8,5.
O cheiro dos sacos de lixos acumulados e empilhados toma conta de todas as ruas, inclusive as dos bairros nobres. Uma verdadeira carniça é sentida por onde se passa e para evitar que todo esse lixo transmita doenças e atraia muitos bichos moradores ateiam fogo. Eles também espalham sacos de lixo pelas ruas para chamar atenção para a coleta.

Moradores relatam que não aguentam mais essa situação, culpam a administração municipal e prometem novos protestos. “Pagamos por ano taxa do lixo e não é feito nada para evitar esse caos que a cidade se tornou sem a coleta? Isso é um absurdo, a vontade que temos é contratar um caminhão para jogar na porta da Prefeitura”, afirmou Wellington Vieira, do bairro Freitas Júnior.

Nota oficial da Cavo
Em nota a CAVO reiterou, mais uma vez, que as negociações com os empregados de limpeza urbana vêm sendo conduzidas pelos sindicatos patronal (Selur) e dos trabalhadores (Femaco), descartando as negociações individuais entre empresas e sindicatos.
“O reajuste no ABC só chegou a 9,5% porque as prefeituras da região se comprometeram a repassar o 1% às empresas locais, situação que não se aplica aos demais municípios, como Taboão da Serra”.

Sindicato acusa prefeitura de uso ilegal de funcionários

Presidente Siemaco, Donizeti França
Presidente Siemaco, Donizeti França
Para o presidente Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Limpeza Urbana de Taboão da Serra, Cotia e Região (Siemaco), Donizeti França a situação da cidade é séria e a cidade está entrando em estado de calamidade pública por causa da sujeira.

Donizeti acusou a prefeitura de fazer contratação e usar funcionários públicos sem os devidos treinamentos e disse que isso é irregular. “Eles [a prefeitura] estão usando funcionários do PAP – Programa de Apoio ao Profissional, para fazer o trabalho de coleta e isso é ilegal. Essas pessoas não têm treinamento específico e podem pegar e transmitir doenças. Vamos notificar os órgãos competentes dessa irregularidade, pois ao invés de resolver o problema, eles estão colocando em risco a vida desses trabalhadores”, acusou.

Segundo o presidente, a prefeitura poderia já ter resolvido o problema e que está faltando boa vontade. “A prefeitura poderia intervir para resolver logo esse impasse, o problema do lixo na cidade está muito sério, mas não temos nenhuma resposta nem da prefeitura e a empresa também nem tentou falar com a prefeitura. Em outras cidades foi assim que o problema foi resolvido. As ações emergenciais não dão conta da cidade”, disse Donizeti.
Donizeti também achou absurdo a empresa não entrar em contato por conta de 1%. “A diferença que a categoria está pedindo agora é de cerca de cerca de R$ 10, R$ 12 e a população de Taboão da Serra continua sofrendo por esse acordo não ser concluído”, falou.

O presidente da Siemaco também falou que a integridade física dos trabalhadores estão sendo ameaçadas e informou também que a determinação legal do efetivo mínimo está sendo cumprida, mas que não dá conta . “Estamos cumprindo sim, mas não dá conta, com a grande quantidade de lixo o caminhão enche muito rápido”, justificou.

Plano emergencial que não funciona

De acordo com nota oficial da prefeitura, a operação emergencial conta com o apoio de 70 funcionários da Defesa Civil e das Secretarias de Manutenção e de Obras, e já foram recolhidas mais de duas mil toneladas de lixo.

O presidente da Siemaco também questionou essa divulgação. “Olha em dias de pico, como as segundas-feiras, a Cavo coletava cerca de 180 toneladas, a média geral era de 160 toneladas por dia. Se a prefeitura fez realmente essa coleta não estaríamos com tanto problemas na cidade, duas mil toneladas é um muito”, relatou.

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