GCM de Taboão atira para matar jovem que tentava ocupar área no Jd. Record

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MST de Taboão diz que ocupação não é do grupo, mas que são solidários às vítimas da ação truculenta do governo municipal

O metalúrgico Fernando Neris Ferraz, de 23 anos morreu durante um confronto e uma GCM foi presa suspeita de realizar o disparo
O metalúrgico Fernando Neris Ferraz, de 23 anos morreu durante um confronto e uma GCM foi presa suspeita de realizar o disparo
O metalúrgico Fernando Neris Ferraz, de 23 anos morreu durante um confronto entre os guardas da Romu (Ronda Ostensiva Municipal), na madrugada de domingo, 03, por volta das 1h30. Ferraz foi atingido por um tiro durante a ação de agentes da GCM que buscavam impedir a ocupação do terreno localizado na rua Carlos Marighela, no Jardim Record, por cerca de 100 pessoas. A Polícia Militar disse que não há registro de que ela tenha sido acionada para a ocorrência.
De acordo com a matéria divulgada pelo Jornal Agora, a GCM Jaqueline Aparecida dos Santos Laurentino, 31 anos, acusada de ser autora do disparo que matou Fernando, foi presa em flagrante no domingo, 03.

A Prefeitura respondeu em nota, para o impresso, mas não retornou o e-mail do Jornal Hoje em notícias. Segundo a nota, a prefeitura vai colaborar com a investigação e que os agentes usaram tiros de festim para tentar conter a invasão. “Os invasores lançaram paus e pedras contra os GCMs, um guarda foi atingido e dois carros tiveram os vidros quebrados. Tiros de festim foram dados e um dos manifestantes foi atingido por uma bala”, disse na nota publicada no Jornal Agora.

As testemunhas que estavam no local relataram que os guardas reprimiram a ocupação e afirmam que o disparo de arma letal partiu de uma agente da corporação, mas a prefeitura nega e diz que será apurado a origem do tiro e também será realizado exame de balística.
Segundo informações divulgadas, o tumulto ocorreu entre cerca de 100 sem-teto e 12 guardas municipais por volta da 1h30 da madrugada. A Prefeitura de Taboão diz que os sem-teto reagiram e atacaram os guardas, mas que ainda apura a origem do tiro.

A mulher da vítima gravou entrevista emocionada para a rede Globo e disse que essa foi a primeira participação deles em uma atividade de ocupação. “Tá, era errado [invadir], mas ninguém escolhe isso. Não é fácil pagar aluguel. Não é fácil viver a vida que a gente vive. Ele não foi lá porque ele era um vagabundo. Ele era um trabalhador, só queria uma oportunidade”, desabafou. Karine mostrou quatro cápsulas deflagradas e relatava que elas foram recolhidas no local onde o marido foi morto.

O pintor Diego Arcanjo Gabriel, que foi ferido com um rito, também apontou uma agente da Guarda Civil como responsável pelo disparo. Ele acredita que o mesmo tiro que matou Ferraz o atingiu antes de raspão. Ele esteve nesta tarde na delegacia prestando depoimento.

O irmão do metalúrgico assassinado, Diego Neri Ferraz contou a reportagem da Globo que estava no terreno quando houve a ação da Guarda Municipal. “Não teve confronto. Eles já chegaram atirando. Primeiro atiraram bomba de efeito moral, todo mundo saiu já com o olho ardendo, todo mundo reclamando, se afastou”, conta Diego Ferraz.
“Depois, juntou todo mundo novamente e eles voltaram revidando com bala de borracha. Aí a população começou a jogar pedras neles. Eles começaram a atirar com revólver para cima. Quando a gente foi olhar meu irmão já estava baleado”, afirma Diego Ferraz.

Ocupação
O terreno pertence à Prefeitura e fica ao lado de uma Unidade Básica de Saúde e de uma escola. O grupo tentou ocupar a área por volta das 8h30 de sábado, 02, e a GCM já havia retirado as pessoas do local. Por volta da 1h, segundo a Prefeitura, guardas passavam pela região quando flagraram uma nova tentativa de invasão.
Foi pedido reforço e cerca de meia hora depois começou o tumulto, segundo informações. O caso será investigado pelo 1º Distrito Policial da cidade.
O líder do Movimento Sem Teto – MST de Taboão da Serra, Paulo Félix, afirmou que a ocupação não foi organizada pelo movimento, mas que estão solidários com as vítimas dessa truculência por parte do governo municipal.
Os demais movimentos não foram encontrados para se manifestar sobre o assunto.

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