Funcionalismo de Taboão reivindica reajuste salarial

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Funcionários públicos vão à Câmara de Taboão da Serra para protestar contra baixos salários

Funcionária discute com presidente da Câmara, Eduardo Nóbrega, durante sessão da Câmara  -  Foto Alexandre Oliveira
Funcionária discute com presidente da Câmara, Eduardo Nóbrega, durante sessão da Câmara – Foto Alexandre Oliveira

A sessão da Câmara de Taboão da Serra, realizada na terça-feira, 20 de maio, foi marcada por debates entre funcionários da rede municipal de ensino e vereadores da base governista. As discussões se iniciaram após o uso da Tribuna Popular pelo estudante de história e auxiliar administrativo da secretaria de Saúde, Jonas Carlos, que denunciou o descaso ocorrido no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS AD), do Jardim Intercap.

Jonas Carlos, que trabalha no CAPS AD, no Jardim Intercap revelou que os pacientes que lá se tratam não recebem a primeira refeição do dia como deveria ser. Segundo Jonas, é dado apenas um pão como primeira refeição do dia no Caps. O funcionário alertou que os pacientes fazem uso de remédios fortes no tratamento adotado e precisam do café-da-manhã reforçado.

Reivindicando melhores condições e valorização dos funcionários públicos do município, Jonas usou do seu exemplo, divulgando o salário que recebe na função de auxiliar, para demonstrar a necessidade de um reajuste salarial, vale alimentação e transporte. “Eu não sou médico, eu sou assistente administrativo, então eu prefiro falar um pouco do meu salário para vocês entenderem como é o salário de um funcionário atualmente. Eu recebo mil reais como salário bruto. R$ 115 de desconto em impostos; R$ 132 que eu tenho que tirar do meu bolso para utilizar no vale transporte para eu poder vir trabalhar. R$ 200 para completar a cesta básica, e R$ 130 de convênio médico, porque não encontro médicos aqui na prefeitura de Taboão. Tudo isso somado já vai metade do meu salário”, relevou indignado.

Sindicato protesta

A professora e presidente do Sindicato dos Funcionários de Taboão, Sandra Rodrigues Fortes, levou ao conhecimento dos vereadores a necessidade de um reajuste salarial ao funcionalismo público.

Professora do ensino fundamental, Sandra fez coro para que o Executivo Municipal reveja os salários dos funcionários públicos valorizando a categoria que, segundo ela, há 17 anos aguarda um reajuste em folha. “A data base do funcionalismo é 1° de maio e o governo ainda não acenou com nenhum reajuste e nenhuma melhoria das condições. A maior parte do funcionalismo municipal recebe salário de R$ 730, até no máximo mil reais. Sem vale transporte, uma cesta de alimentação no valor de R$ 150,08 e sem plano de saúde”, revelou.

Para Sandra o descaso com a classe dos funcionários da municipalidade é estampado nos recentes aumentos de salários de cargo ligados ao executivo, como Prefeito, Vice e Secretários. “Como nós vimos, no município subiram salário de prefeito, vice, secretário de governo, de livres nomeados, vereadores, e o funcionalismo nada, nós estamos aqui lutando, iniciando a nossa campanha salarial, reivindicando esse reajuste para a Câmara, uma vez que no dia 30 de abril nós entregamos a pauta para o governo municipal e até agora não tivemos resposta nenhuma”, disse.

Vereadores não se sensibilizam

Apesar das acusações e reivindicações apontadas, os vereadores da base governista não demonstraram grande constrangimento e bateram boca com um grupo de professores que protestavam no plenário, no momeno em que era discutida a indicação para equiparação dos salários dos motoristas da prefeitura à classe de maquinistas.

Mais exaltado, o vereador Marcos Paulo (PSB) alegou que não seria a pressão que o faria votar em favor do reajuste salarial dos professores da cidade. ”Não aceitarei pressão. Votarei conforme minha consciência. Os médicos não precisaram vir até aqui protestar para ganharem aumento” disse após ser confrontado por professoras.

Em defesa da classe dos educadores, o vereador Moreira (PT) questionou o posicionamento de seu colega. “Precisamos fazer muitas mobilizações para que de fato se tenha aumento nessa cidade. Vereador Paulinho, o senhor não pode dizer que o povo não pode vir aqui se manifestar. Como é que o povo pode ser tolhido de vir aqui na Câmara reivindicar seus salários?” retrucou.
O debate se estendeu até a participação do presidente da Casa, o vereador Eduardo Nóbrega (PR), que saiu em defesa do vereador aliado, Marcos Paulo. ”O vereador Moreira errou na mão dessa vez. O vereador Marcos Paulo nunca disse que o povo não poderia vir aqui”, retrucou.

A sessão ainda contou com a aprovação para a criação do Dia da Liberdade Religiosa que deverá ser comemorado no dia 25 de maio de cada ano, fazendo parte do calendário oficial do município. A matéria é de autoria do vereador Dr. André Sorriso (PSDB).

*Alexandre Oliveira, repórter do Hoje.

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