Fernando Fernandes afronta Movimento de Moradia, dizem manifestantes que protestaram na noite de terça contra atraso de alvará

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“Nem chuva, nem vento para o Movimento”, manifestantes do Projeto de Moradia Santa Terezinha III do Jd. Salete marcharam do centro do Taboão até a casa do prefeito para cobrar alvará que deveria ter sido emitido em janeiro; protesto continuará amanhã, quarta-feira, 09, a partir das 8h

Por Renata Gomes

Manifestantes se concentraram na praça Nicola Vivilecchio e depois foram até a casa do prefeito Fernando Fernandes
Manifestantes se concentraram na praça Nicola Vivilecchio e depois foram até a casa do prefeito Fernando Fernandes

Tristeza. Foi essa a principal palavra pronunciada pelos coordenadores e pelos integrantes do Movimento de Moradia das Associações Família Feliz e Bem Viver do Projeto Santa Terezinha III do Jd. Salete que se reuniram na noite desta terça-feira, 08, na praça Nicola Vivilecchio, no centro de Taboão da Serra, mesmo com a forte chuva que atingiu a cidade. Segundo a coordenação, o encontro era para ser de comemoração, mas acabou se transformando em manifestação porque o tão sonhado alvará esperado há nove meses e que deveria ter sido entregue na sexta-feira, 04, não saiu. Cerca de 150 pessoas participaram do ato.

Após serem notificados que o alvará ainda não foi liberado pela Prefeitura de Taboão, os associados deliberam em Assembleia e caminharam até a casa do prefeito na Rua das Camélias no Parque Assunção para deixar o que classificaram de “aviso” ao prefeito Fernando Fernandes Filho. Também decidiram que amanhã, quarta-feira, 09, às 8h estarão concentrados novamente na praça do Centro de Taboão e irão caminhar até a prefeitura.
Cerca de 15 homens e seis viaturas da Guarda Civil Municipal fecharam a rua quando os manifestantes chegaram na casa do prefeito. “Não estamos aqui para proteger a casa do prefeito, eles não podem estar obstruindo a via assim”, disse um dos GCM para a equipe do Jornal Hoje em notícias.

“Hoje eu fiquei das 14 até às 18h30 para ver se saia o documento e não saiu. O diretor da aprovação, Edson falou que se dependesse dele já estaria com conosco, achei isso grave. A gente ainda tinha esperança. Trouxemos até bexigas e apitos para comemorar. Tem um vídeo na Internet do prefeito que participou da nossa Assembleia em janeiro e ele prometeu que o alvará sairia em um mês, o povo viu, já se passaram nove meses. Só no Cadastro Único e no CRAS ficou mais de um ano liberar a documentação das famílias, sendo que nos outros estados ficam apenas dois meses no máximo, a Lei estabelece um ano caso o município não tenha um CRAS, e nós temos seis. O prefeito fala que está com o movimento e ele não tem nem plano de habitação, então como ele apoia o movimento?, disse uma das coordenadoras do movimento Lucélia Santos Lima.

“Já somos donos do terreno, recebemos dinheiro do Estado e as famílias já estão pagando a contrapartida. A prefeitura precisa apenas liberar o alvará, não tem nenhum recurso. Precisamos do alvará para dar sequencia no projeto em outras esferas. Toda hora eles enviam que nosso projeto precisa de alteração, porque não aprova e depois vamos ajustando? Prefiro acreditar que não seja o prefeito que esteja segurando, é uma causa nobre, estamos na reta final de uma luta que começou em abril de 2011. Cada dia que passa é um aluguel que eles pagam. Não estamos pedindo nada, só para eles fazerem o serviço deles, cadê a parceria?”, cobrou a coordenadora Terezinha da Silva.

Para a auxiliar de limpeza, dona Alcepina Vicente de Assis que mora há 40 anos em Taboão a atitude do prefeito é covarde. “É uma covardia o que ele [prefeito] está fazendo com a gente. Eu estava no Cemur quando ele fez a promessa que assinaria. Ele não está pensando na gente. Eu pago aluguel, sou sozinha, tenho uma filha de 13 anos e estou buscando minha moradia própria”, contou.

Dona Guiomar Francisca Lacerda de 52 anos disse que é triste receber essa notícia, porque tinham uma expectativa positiva. “Estamos aqui nessa chuva e é triste, é um descaso com a população. Ele [prefeito] tem casas, um teto e a gente vive de salário e estamos apenas lutando, ele podia se conscientizar”, desabafou.
“Não podemos aceitar que virem às costas para a gente. O prefeito está afrontando o movimento de moradia. O prefeito mandou dizer que foi um equívoco, mas esse equívoco não é de agora, é de um ano. Não vamos esperar que o prefeito nos atenda na quinta-feira, já esperamos demais”, disse aos associados Gerusael Santos Ribeiro.

Até o fechamento desta matéria, a prefeitura de Taboão da Serra não respondeu ao Jornal Hoje sobre o assunto.

Projeto Santa Terezinha III
O projeto de moradia popular Santa Terezinha III atenderá 500 famílias com renda de 0 até R$ 1.600,00 através do Programa Minha Casa Minha Vida. A área total do terreno, que já foi comprada, é de 9.734,51m² e fica localizado no Jardim Salete, na rua Isabel Soraia Mainardes ao lado da EMEI Papa Capim. O prédio terá 20 andares e cada apartamento 60 m² mais área de lazer.

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