Famílias sofrem com a ameaça do fim de contrato entre Entidade e Prefeitura

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Fernanda Ferreira, vende balas para por alimento na mesa. Vítima de violência e mãe de três filhos, ela teme pelo fim do contrato com
o Solar dos Unidos e a prefeitura porque não tem onde deixar sua filha de sete anos – Foto: Renata Gomes

As 175 famílias que contam com a assistência da Organização da Sociedade Civil (OSC) Solar dos Unidos, no Jardim Clementino em Taboão da Serra, estão vivendo momentos de agonia e desespero com o impasse entre a prefeitura que prevê o fim do convênio com a entidade em 21 de maio.

Caso o contrato acabe, o atendimento será feito pela nova unidade do Centro de Referência e Apoio Social (CRAS) no Jardim Clementino, porém com carga horária e dias reduzidos e estrutura inferior.

Entre essas famílias, a história de Fernanda de Paula Ferreira, de 40 anos, mãe de três filhos com idade de sete, 12 e 15 anos, é um “raio x” da falta de apoio do poder público e o reflexo da ausência de políticas públicas que auxiliem famílias que estão em situação de vulnerabilidade.

Fernanda é uma entre as milhares vítimas de violência doméstica de Taboão da Serra. Ela sofreu por sete anos até quando seu ex-companheiro espancou seu filho mais velho. Fernanda chamou a polícia e conseguiu segurança com a medida protetiva.

Na busca por apoio do poder público, recebeu apenas respostas negativas e também da sociedade em geral. Ela não consegue emprego fixo pois não tem experiência, não conseguiu entrar no Programa de Apoio Profissional (PAP) por ter escolaridade, por saber falar e não ser ex-presidiária.

“O PAP da prefeitura têm exigências e não me encaixei, eles até me orientaram a falar errado na entrevista, ou seja, não consegui emprego porque estudei e nunca fui presa”, diz com tom de indignação.
Com as portas fechadas do mercado de trabalho, Fernanda para garantir literalmente, o pão de cada dia, vende balas e café, de domingo a domingo em um ponto ao lado de uma parada de ônibus. Sua jornada começa às 5h30 da manhã.

Sem ter onde deixar sua filha mais nova no contra turno escolar, antes de contar com o apoio do Solar dos Unidos, Fernanda acabava levando-a para o ponto de vendas e foi advertida por um funcionário do Conselho Tutelar sobre a irregularidade.

Em desespero, com medo de perder a guarda de sua filha e na fila de espera do CRAS sem resposta, Fernanda encontrou o apoio que precisava para cuidar de sua filha no Solar dos Unidos e para felicidade da família, a pequena já apresenta quadro psicológico evolutivo em apenas dois meses que faz parte do projeto.

CRAS Saporito e de outros bairros têm grande demanda e atendimento. Estrutura, visivelmente
inferior a do Solar dos Unidos – Foto: Renata Gomes/HOJE

“Minha filha tinha trauma de homens, para ela todos eram violentos, por tudo que ela viveu em casa. Hoje ela aprendeu que tem homens muito bons, como os que trabalham no Solar, está mais comunicativa e melhorou o rendimento na escola. Por tudo isso eu digo e repito que eu preciso do Solar dos Unidos para minha filha continuar evoluindo. Também não tenho vergonha de dizer que ela come bem aqui, com alimentos que eu não tenho condições de comprar”, relatou Fernanda.

Ao ser informada que o convênio com a prefeitura está previsto para acabar em maio, Fernanda entrou em desespero. Chegou a perder o dia de trabalho para ir à Câmara Municipal e não ficou satisfeita, saiu sem entender, sem resposta e chorando.

“Se o projeto acabar e eu tiver que colocar minha filha no CRAS que não atende todos os dias e o horário é menor, o que vou fazer com a minha filha? questiona.

A situação de Fernanda também reflete um grande problema de Taboão da Serra e região sobre a falta de vagas em creches que atormentam a vida de mães e pais que precisam trabalhar e não tem o direito de assistência atendidos pelo município.

Entramos em contato com o Conselho Tutelar que respondeu que quando chega um problema de mães que precisam trabalhar e não têm onde deixar os filhos, o caso é enviado para a secretaria de Educação e as famílias acabam sem o retorno e assistência necessária.

Futuras instalações do CRAS do Jd. Clementino. Caso contrato seja reincidido, crianças serão
transferidas, mas com dias e carga horária reduzidos o que vai prejudicar 175 famílias – Foto: Renata Gomes/HOJE

Fernanda diz que com o tanto de crianças na rua, a prefeitura deveria era abrir um monte de CRAS e oferecer condições para tirar as crianças da rua, que segunda ela, só tem o que não presta. “Não sou contra abrir mais um CRAS, tem que abrir mais um monte. Mas por pura politicagem não garantir que este projeto continue é querer acabar com a esperança de um futuro bom para os filhos”

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