Danos ambientais de Pedreira em Itapecerica preocupa moradores

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Adriana Abelhão moradora e membra do grupo Preservar Itapecerica fez a leitura do Manifesto em encontro realizado na Câmara Municipal – Foto: Divulgação

O movimento “Preservar Itapecerica da Serra”, composto de moradores da região e do município, elaboraram um manifesto em defesa do meio ambiente e reivindicam, ao setor público, investimentos em desenvolvimento de acordo com as características da cidade.

O documento foi apresentado para cerca de 80 moradores em reunião realizada na Câmara Municipal de Itapecerica da Serra, no sábado, 21. Foram expostas preocupações com o ambiente e as consequências sociais, frente às atividades previstas para a cidade, entre as quais está a expansão da pedreira, comandada pela empresa Votorantim Cimentos, no bairro de Itaquaciara.

Imagens da biodiversidade local, registradas pela fotógrafa Sandra Audujas, foram exibidas na abertura do evento, que teve apresentação de Adriana Abelhão, moradora e membra do grupo Preservar Itapecerica, e foi seguido de palestras de especialistas e espaço para a opinião do público. Nas falas, o posicionamento contrário à expansão da pedreira e a reivindicação por novas formas de desenvolvimento para o local foram unânimes.

“O Brasil detêm grande parte da produção de água doce no mundo e Itapecerica da Serra, junto com os municípios vizinhos, colabora fortemente para este cenário. Qual a consequência de uma atividade de mineração nestes locais?”, questiona Eunice Maria da Silva, professora e doutoranda em Estética e História da Arte, pela USP, integrante da Sociedade Ecológica Amigos de Embu.

Ela também abordou a importância da relação das pessoas com os seus locais de origem e os direitos da Terra em ser protegida, como já reivindicam alguns povos da Amazônia Equatoriana e é lei no Brasil, no município Bonito, Mato Grosso do Sul.

Joselício “Juninho” Júnior, morador de Embu das Artes e atual presidente estadual do Partido Socialista e Liberdade – PSOL, ressaltou a importância da preservação do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo para a saúde e qualidade de vida: “nossas vidas e o futuro da nossa existência está em jogo. Nossa região presta um serviço de controle do clima e do ar para toda a Região Metropolitana de São Paulo, mas pelas interferências, cada vez mais crianças nascem com problemas respiratórios”.

A importância de pensar a espécie humana como um elemento da natureza, que depende do seu funcionamento também foi abordada: “em nossos municípios, existem núcleos florestais importantes que abastecem a região metropolitana com oxigênio. Então, o modelo de transformar essas áreas em galpões industriais e grandes condomínios não pode ser visto como bom para o futuro”, analisa o geógrafo Marcos Ummus, da iniciativa Mosaico, para preservação da região oeste da Grande São Paulo.

Desenvolvimento sustentável que gera renda
Cesar Pegoraro, ambientalista e membro da SOS Mata Atlântica, apontou que Itapecerica da Serra tem grande potencial para gerar renda por meio da preservação ambiental. “No Brasil já existem bons exemplos, como o projeto “Cultivando Água Boa”, em Itaipu, que garantiu renda para que os proprietários rurais pudessem recuperar e preservar as matas. Além de melhorar as condições ambientais, com benefício para a população, aqueceu a economia do turismo.”

Cesar ainda levantou o modelo de desenvolvimento praticado na Costa Rica, país da América Central, onde “cerca de 20% do Produto Interno Bruto (PIB) vem do turismo sustentável, que preserva e emprega cerca de um quarto da sua população”.

No Brasil, a economia criativa, que favorece o desenvolvimento sustentável, abrange cerca de 20 setores que respondem ao Ministério da Cultura. Entre eles: turismo, gastronomia, pesquisa, biotecnologia, tecnologia da informação para softwares, artes, arquitetura, moda.
A atividade que, segundo o Sebrae, “estimula a geração de renda, cria empregos e produz receitas de exportação, enquanto promove a diversidade cultural e o desenvolvimento humano”, cresceu cerca de 3% ao ano, entre 2013 e 2015. Embora pareçam números tímidos, representou o equivalente a R$ 155,6 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

“A economia criativa, o pagamento por serviços ambientais e a geração de renda com a floresta em pé têm revolucionado cidades do Brasil e do mundo. É preciso difundir estes ensinamentos e mudar a forma de pensar, sobretudo no contexto político e econômico, onde predomina o pensamento do século passado, que só vê desenvolvimento em desmatamento e concreto”, afirma Rodolfo Almeida, presidente da Sociedade Ecológica Amigos de Embu – SEAE.

Ao final, os organizadores do evento incentivaram o público participante a acompanhar, em seu cotidiano, os conselhos municipais da cidade.

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