Contra o racismo e a violência, mulheres da região participam de marcha em Brasília

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A mobilização teve como objetivo alertar a sociedade para que todos possam viver plenamente a igualdade de direitos e oportunidades

Por Renata Gomes

Mulheres da região participaram da Marcha das Mulheres Negras em Brasília contra o racismo, a violência e pelo bem viver
Mulheres da região participaram da Marcha das Mulheres Negras em Brasília contra o racismo, a violência e pelo bem viver

Um dia para ficar na história. Essa foi a definição emocionada das guerreiras das cidades de Taboão da Serra, Embu das Artes, Itapecerica da Serra, Cotia e Osasco que participaram da 1ª Marcha das Mulheres Negras realizada na quarta-feira, 18, em Brasília. Confira as lindas imagens registradas pelo Jornal Hoje na página do facebook.
Com rostos pintados, turbantes, roupas inspiradas na ancestralidade, faixas, cartazes, cantando músicas de protestos e realizando discursos contra a violência e o racismo e pelo bem viver, mais de 20 mil mulheres, segundo a organização, encheram as ruas do Distrito Federal. Elas marcharam por cerca de quatro horas do Ginásio Nilson Nelson até o prédio do Congresso Nacional.

Foram quase 14 horas de viagem, nas paradas a integração com mulheres de outros estados e cidades faziam as guerreiras da região esquecer o cansaço e estampar sorrisos registrados por celulares e máquinas fotográficas.
No ônibus, as histórias das mulheres eram compartilhadas e os debates sobre política, discriminação e busca por espaço eram os mais evidenciados além do embalo de batuques e até criaram paródias de canções famosas adaptadas para a marcha.

Ana Rita de Embu das Artes que milita há mais de 25 anos no Movimento Negro
Ana Rita de Embu das Artes que milita há mais de 25 anos no Movimento Negro
Há anos a Marcha das Mulheres Negras em Brasília era esperada. Como conta Ana Rita, técnica de enfermagem aposentada, do Jd. São Marcos, em Embu das Artes, era para ter sido realizada em março e hoje estar participando e ver tantas mulheres deixaram os olhos da militante cheio de lágrimas. “Costumo brincar dizendo que não sou mulher negra e sim negra mulher. Porque antes de me enxergar mulher, enxergam minha cor, minha raça, minha gente. Muitas mulheres negras da nossa região não puderam estar presentes hoje porque trabalham e quero dizer para elas procurarem nosso movimento que é organizado. O racismo não acabou, ele está sendo mascarado através de uma corrente bíblica”, alertou a baiana que veio para São Paulo na época da Ditadura e há 25 anos milita no movimento negro organizado.

Thayaneddy Alves (Thata Alves) ativista cultural, articuladora do Sarau da Ponte pra cá e militante da cultura afro
Thayaneddy Alves (Thata Alves) ativista cultural, articuladora do Sarau da Ponte pra cá e militante da cultura afro
Esbanjando energia, a ativista cultural, articuladora do Sarau da Ponte pra cá e militante da cultura afro, Thayaneddy Alves (Thata Alves) de apenas 23 anos, moradora do bairro Marabá em Taboão da Serra, expressou que ver tantas mulheres reunidas numa única unidade sem a vaidade e nem a rivalidade impostas pela mídia é uma grande conquista. “Temos que ocupar Brasília mais vezes. Hoje temos crianças aqui assumindo seu cabelo, sem ter vergonha e entendendo que o cabelo é a nossa coroa”, disse. O Sarau da Ponte prá cá é realizado toda primeira segunda-feira do mês, em um espaço público ocupado no Marabá, divisa com o Campo Limpo.

A advogada Dra. Aline Gomes de Itapecerica da Serra
A advogada Dra. Aline Gomes de Itapecerica da Serra

Outra jovem, a advogada Dra. Aline Gomes, de apenas 26 anos, formada pelo Mackenzie, que está cursando Mestrado, moradora de Itapecerica da Serra contou as barreiras que atravessou para poder se formar numa das melhores faculdades do Brasil como bolsista por mérito. “Sofri muito preconceito numa faculdade de elite. Nós negros causamos estranhezas quando estamos em lugares onde não se costumam ver negros. Nossa luta é sempre tentar mostrar além da cor da nossa pele. Temos que passar a vida inteira provando nossa capacidade. Espero que a partir de mim nas próximas gerações possamos ver mais advogadas como eu, médicas, engenheiros, enfim quero que quando meus futuros filhos sentarem numa cadeira de faculdade não sejam olhados com indiferença como fui olhada”, relatou.

Dinha Souza de Taboão da Serra, uma das organizadoras e militante do Movimento Negro taboanense
Dinha Souza de Taboão da Serra, uma das organizadoras e militante do Movimento Negro taboanense
Uma das organizadoras que buscou patrocínio para o grupo da região se fazer presente no movimento que reuniu mulheres de todos os cantos do Brasil, Cláudia Pereira Souza (Dinha), disse que a marcha foi um grande sucesso. “Mesmo sem apoio da prefeitura, nós lutamos muito para ir à Brasília lutar contra a discriminação e violência.
Fomos pedindo para um e para outro e as mulheres negras da nossa região puderam estar presentes demonstramos nossa força e reforçamos o desejo de combater o racismo que nos oprime. Agradeço a todos que nos apoiaram e nos ajudaram nessa jornada como o presidente da Cooperativa Vida Nova, José Aprígio, a vereadora Luzia Aprígio, o Sindicato dos Químicos e seus dirigentes através do Carlinhos, Kazu e Helvio Alaeste Benicio, a presidente da Associação Comitiva da Esperança, Rosangela Santos, a diretora da Afuse – Sindicato dos Funcionários e Servidores da Educação, Luzia Gonzaga e a coordenadora da Igualdade Racial de Embu das Artes, Marisa Araujo, pois sem vocês, nossa participação na marcha corria o risco de não acontecer”, agradeceu.

Ocorrência
Um homem do movimento pró-intervenção militar que participa de um acampamento no Congresso pelo impeachment de Dilma foi preso durante a Marcha das Mulheres Negras porque disparou quatro tiros para o alto. Houve um corre-corre e um princípio de tumulto, mas que foi controlado pela polícia e não durou nem 10 minutos.
O fato foi lamentado pelas manifestantes que ficaram irritados com a exploração da mídia da ocorrência.

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