Atleta de Taboão treina em meio aos carros por falta de espaço no governo atual

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Maratonista Maria AuxiliadoraReconhecida por trazer inúmeros títulos de atletismo para a cidade de Taboão da Serra, em 30 anos de disputas e trabalho dedicado como técnica da modalidade na secretaria municipal de Esportes, por quase 14 anos, Maria Auxiliadora Francisco Venâncio, 55 anos, agora treina em meio aos veículos, debaixo de sol e chuva, três dias por semana na rua Acácio Ferreira, marginal bem próxima a Rodovia Régis Bittencourt. Os atletas são obrigados a parar em diversos momentos para os veículos continuarem trafegando.
A situação se estende desde o início do ano, após a mudança de governo, quando Auxiliadora foi exonerada da secretaria de esportes. Ela treinava outros atletas no Ginásio de Esportes e também no Estádio José Feres e estava a um ano de se aposentar, porém nem ao menos essa prerrogativa mudou a ideia do prefeito Fernando Fernandes, que mandou embora todos os funcionários que faziam oposição a ele, na gestão o ex-prefeito, Evilásio Farias.
Ao invés de desistir, a atleta arregaça as mangas e treina um grupo de 70 pessoas, entre crianças, adultos e 3ª idade, nas modalidades de corrida e caminhada. A humildade e simplicidade dela transformam o desânimo de muitos, em motivos para lutar e vencer os obstáculos. As dificuldades encontradas pelos atletas são muitas e o perigo de serem atropelados também. Colchonetes são usados em cima da calçada, abaixo da passarela, para alguns exercícios físicos serem realizados. Maria Auxiliadora é responsável por levar água, lanches e biotônicos para todos os atletas.
A falta de infraestrutura para o treino, obriga Auxiliadora a realizar somente uma hora de atividades, já que os atletas precisam usar o banheiro em suas casas, bem próximas à rua, ou contar com a solidariedade dos comerciantes do local. É a solidariedade que também se faz presente quando o assunto é viajar para uma competição. “Quem tem carro leva um ao outro. Por falta de estrutura também acabamos não participando da Maratona de Taboão rumo ao Itaquerão, que acontece duas vezes ao ano”, contou.
De acordo com ela, a outra administração, arcava com o transporte, alimentação, inscrições e uniformes, além de garantir os treinos em lugares específicos para a modalidade, como no Ginásio e Estádio. A atleta relatou que foi mandada embora só porque trabalhou na antiga gestão, porém disse não entender a decisão do prefeito, já que também prestou serviço nos oito anos, em que Fernando comandava a cidade.
“Depois de tantas conquistas e muito trabalho, agora estou na rua, despejada. É muito triste e injusto”, disse. Na última comemoração do Dia Internacional da Consciência Negra, 20 de novembro, no Cemur, Auxiliadora foi convidada para ser homenageada, mas decidiu não aceitar o convite depois de tudo o que aconteceu. “Se eu não sirvo mais para trabalhar na prefeitura. Como me chama para receber homenagem?”, justificou. Para ela a homenagem é bem vinda, porém se fosse de entidades civis ou governamentais que reconheçam o seu trabalho.
A reportagem questionou o atual secretário de Esportes, Fábio Fernandes sobre a situação em que a atleta se encontra e ele justificou da seguinte forma. “O espaço que tínhamos para o atletismo era no Estádio que com a reforma e grama sintética a pista foi retirada de lá. Quando assumi, não acabei de vez com a modalidade, que permaneceu 12, 15 dias. E a maioria dos atletas não era da cidade. Tiramos por falta de espaço mesmo. Também estamos com dificuldades de contratação”, explicou.
Ainda, segundo o secretário, o governo tem que beneficiar a maioria, o que não é o caso do atletismo e sim do futebol de campo e também das lutas. “Temos 200 crianças no futebol. Tivemos que optar por uma ou outra modalidade”, justificou. Por fim, ele salientou que está estudando implantar pista de atletismo no Centro de Iniciação ao Esporte, projeto do Governo Federal.
O prefeito Fernando Fernandes também foi procurado pela reportagem. Ele disse que o governo tem que ter prioridades e que a vocação esportiva da cidade é futebol de várzea. Adiantou que o Ministro de Esportes virá a cidade declarar que Taboão é a capital Nacional do futebol de várzea. “O futebol é uma prioridade num primeiro momento. Queremos criar condições melhores para atender a modalidade que tem muita gente envolvida quase 10 mil e com as escolas tirar as crianças das ruas”, comentou.
Ele afirmou ainda que não tem nada contra o atletismo e que em outro momento adequado deve abrigar a modalidade no município.
A parede da casa da atleta é toda decorada por medalhas e troféus. Alguns ela precisou até doar, porque não cabia mais em sua residência, que precisou até de um quarto para acomodar todos os prêmios. Ela foi vitoriosa em duas dezenas de maratonas. Seu melhor resultado aconteceu na de Porto Alegre 1996, quando completou em 2h46. Já nos 10 km, seu recorde foi na prova da Tribuna, em Santos, com 38:25, em 1987, segundo a revista Contra Relógio.

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