Acervo: Viva a imprensa livre

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Acervo – Hoje online | Publicado originalmente em17.fev.2006

O prefeito Evilásio Farias durante a entrevista coletiva realizada nesta semana pediu desculpas para os jornalistas. Disse que ficou muito distante dos repórteres que cobrem a política regional. Na verdade, Evilásio deveria pedir desculpas para os leitores desses órgãos de imprensa que circulam gratuitamente na cidade.

Evilásio não é o primeiro nem será o último prefeito a se queixar da imprensa. É preciso entender que nem sempre os interesses dos governos e dos políticos são os mesmos da imprensa.

É da essência do Jornalismo, o compromisso inalienável com o público. A responsabilidade do jornalista é, antes de tudo, para com o público, pelo direito dele ser informado. Essa missão pública é a primeira da democracia. A dificuldade ou a falta de acesso às informações favorece o poder daqueles que detêm nas mãos a informação e a protegem pelo segredo.

Os jornalistas não têm feito nada mais, nem nada menos do que é sua obrigação básica: informar sobre o que mundo que nos cerca, contribuindo assim para que as pessoas tenham mais informações. Como o próprio prefeito disse, ainda há muito que melhorar e não temos dúvidas de que é preciso se apurar, checar, investigar para depois publicar. Não estamos aqui defendo uma mídia acima do bem e do mal. Muitas vezes observamos jornais fabricados pelo poder. Essa mídia deve ser criticada para evitar que os erros sejam repetidos.

A imprensa sabe bem que seu maior patrimônio é a credibilidade e que o grande fiscal desse patrimônio são milhões e milhões de cidadãos que ao longo da história vêm construindo para a democracia neste país. O melhor remédio contra a síndrome da alienação é uma imprensa que não seja servil aos donos do poder.

Muitos jornalistas lutam para manter os jornais circulando.

A vida dos jornais é dura. Difícil. Às vezes os jornais somem das bancas sem nenhuma explicação, como é o caso do Jornal Hoje em Notícias, que ficou dois meses sem circular, mas agora volta e pretende manter a sua periodicidade. Na realidade, ficamos fora de circulação por questões de adaptação. Nosso projeto percorria num tempo maior, mas a situação forma o cidadão. O jornal sofre com a crise, sofre como os outros títulos que lutam para manter a informação séria e sem intervenções. Várias reportagens ficaram incompletas, sem a informação da administração de Evilásio Farias. Mas, agora esperamos que o prefeito cumpra o que prometeu: atender sempre os jornalistas.

Como escreveu em seu primeiro editorial há três anos, “o Jornal Hoje não pertence a agremiações políticas e nem é financiado por políticos. Nossa função é reportar, informar o leitor”.

Ontem, 16 de fevereiro, foi o dia do repórter. Mais do que ser jornalista é ser repórter. Isso significa acordar todos os dias com a responsabilidade de buscar novas informações para a sociedade, sejam elas boas ou ruins. Significa ser a lupa em cima do desconhecido. Significa, muitas vezes, correr riscos para informar mais e melhor.

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