Acervo: Abolição?

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Acervo – hoje online | Publicado originalmente em 13.mai.2005

O Brasil ainda não pode dizer em todas as letras que a abolição da escravatura está completa em seus domínios. O relatório da OIT (Organização Internacional do Trabalho) divulgado nesta semana, revela números constrangedores para a Nação. As 25 mil pessoas mantidas em regime de escravidão, citadas no relatório da OIT, não refletem a quantia exata de pessoas submetidas ao trabalho forçado sem remuneração digna.

A diretoria da organização acredita que, se houver maior empenho na investigação sobre o escravismo moderno no Brasil, a soma dos cativos atingirá uma cifra ainda mais vergonhosa.

Óbvio que, de 2003 para cá, o Governo Federal tem mostrado mais vigor contra o trabalho escravo, principalmente na agricultura comercial. Em apenas dois anos, em 2002 e 2003, mais de sete mil trabalhadores foram ‘libertos’ do jugo de seus patrões, ou melhor, donos.

Fazendeiros inescrupulosos copiam para os tempos atuais, a prática criminosa do “barracão”, tão em moda nos tempos coloniais. “Barracão” significa o local onde os empregados de determinadas fazendas são obrigados a comprar alimentos, roupas e até equipamentos de trabalho. As despesas ficam anotadas nos registros do “barracão”. Ao fim do mês, o trabalhador é alertado que suas dívidas esão maiores do que o salário. Para quita-las, deve fazer o pagamento com serviços. Logicamente, as anotações das despesas são feitas pelo próprio patrão, e devidamente viciadas, com quantias a mais do que o realmente despendido. O devedor fica preso à fazenda, pagando com seu suor dívida maior do que contraíra.

Hoje, os praticantes do crime do escravismo estão mais ameaçados pela Lei, mas a impunidade ainda é grande. O assassinato de uma freira no Pará, um dos Estados da Federação que mais pratica a escravidão, é o retrato cruel e sem mácula do quanto os “donos de terras e gente” sentem-se acima de tudo e de todos.

Não bastasse a escravização de nossos nativos no campo, nas grandes cidades encontramos exemplos execráveis de escravidão praticada contra imigrantes latinos. A região do bairro do Bom Retiro, na Capital, após a saída dos judeus que alugaram seus prédios, está dominada por comerciantes coreanos que fazem um abominável conluio com escravagistas bolivianos. Estes atraem para o Brasil pessoas humildes de suas pátrias, sob a ilusão de bom emprego. Uma vez aqui, estas pessoas são literalmente encarceradas em oficinas de costuras para produção de roupas para as lojas dos coreanos.

Nosso leitor que não se engane: por trás das belas fachadas de alguma lojas de confecções da rua José Paulino e arredores, há senzalas modernas, onde paraguaios, bolivianos e outros infelizes filhos da América “Latíndia” amargam condições de vida degradantes.

Escravizando consciências

Um funcionário da Prefeitura brincou com nossa reportagem, nesta semana: “Não posso conversar muito com vocês, senão ‘o bicho pega pro meu lado'”. Por trás das brincadeiras, moram grandes verdades. De fato, há certos ocupantes do primeiro escalão da atual Administração Municipal (felizmente não todos, mas, infelizmente, uma boa parte) que consideram-se “feitores urbanos”, e tentam algemar o direito consagrado a todos de livre conversação com qualquer interlocutor. Quem pensar que há exagero e espírito de perseguição de nossa parte, que faça suas averiguações por conta própria.

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