Acervo: A hora é essa!

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Acervo – Hoje online | Publicado originalmente em 17.mai.2005

É sintomático quando uma instituição tão comedida em suas manifestações como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) adota técnicas dos produtores de mega-eventos. Durante toda a semana passada, a OAB divulgou o lançamento da Campanha Nacional contra o Nepotismo, no domingo (15) em Belém do Pará. A Ordem uniu-se a associações populares, sindicatos, e 20 outras entidades para deflagar a luta contra a contratação de parentes pelos administradores públicos. O evento previa até a participação de artistas. Enfim, um mega-showmício bem ao gosto dos políticos, justamente a classe questionada pelo seu vício em alojar parentes de todas as idades e de todos os graus em todos os cantos possíveis e imagináveis da Administração Pública.

A rejeição pública ao nepotismo está sendo bem azeitada pelos veículos de comunicação, até mesmo os de grande porte. Veículos de imprensa são acima de tudo empresas comerciais, com sua conhecida sensibilidade para atender, ou no mínimo não entrar em choque, com o gosto popular. Os marqueteiros destas grandes organizações devem ter sacado: “Este assunto rende!”.

O próprio presidente da Câmara, Severino Cavalcante, já admitiu que, se for proibido em todas as esferas dos Três Poderes, ele também embarca na onda anti-nepotista.

Os clamores anti-contratação de parentes já ecoam há considerável tempo desde Brasília. Se consultarmos a videoteca do Congresso Nacional, veremos em seus arquivos a figura e ouviremos a voz irada de um deputado federal em início de carreira no Planalto Central, bradando contra os “escândalos e mais escândalos patrocinados por muitos políticos e administradores públicos (grifo nosso) que, sem pudor algum, resolvem acabar com o problema do desemprego, mas apenas de suas famílias”.

As palavras são dele mesmo. É! Do atual prefeito de Taboão da Serra na tribuna da Câmara Federal, com direito a ter sua aguerrida fala reproduzida na brochura intitulada “Quatro Anos de Luta” onde relatou seu mandato de 1999-2002.

Empossado no cargo máximo de nossa cidade, o homem mudou de voz, de cabelos, barba e idéias. Diz ele, agora, que seus altos funcionários, investidos de “administradores públicos” podem contratar quem quiserem, “inclusive parentes”.

Coisa típica de quem achava que a sociedade ainda estivesse atada à falta de memória tão deplorada tempos atrás. Está tudo arquivado, digitalizado, a salvo das traças do tempo e do esquecimento.

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